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Notícias » Lideranças reunidas em Cristal manifestam contrariedade à extração de minérios no Alto do Rio Camaquã

20/12/2016

     Liderada pela prefeita de Cristal e presidente do Consórcio Centro Sul, Fábia Almeida Richter, foi realizada uma reunião, dia 6, entre prefeitos da região com a participação de especialistas na questão ambiental e aberta à comunidade em geral. O objetivo do encontro foi tratar e deliberar sobre os riscos de impacto ambiental do “projeto Caçapava do Sul“, que visa a implantação de extração de minérios (zinco, cobre e chumbo) pela Votorantim Metais no alto do Rio Camaquã, em Minas do Rio Camaquã, no município de Caçapava do Sul. O evento foi realizado no Salão Paroquial, em Cristal.
     Estiveram presentes dez prefeitos ou seus representantes dos seguintes municípios; além de Cristal, o anfitrião do evento.  Camaquã (prefeito João Carlos Machado e Renato Zenker, futuro secretário do Meio Ambiente, representando o prefeito eleito Ivo Lima Ferreira), Tapes (prefeito Sílvio Luís da Silva Rafaeli), São Lourenço do Sul (Rudinei Harter prefeito eleito e outros representantes), Arambaré (prefeita Joselena Scherer), Cerro Grande do Sul (Robson Vaz da Silva, representante popular), Amaral Ferrador (vereador e prefeito eleito Natanael Satiro do Val Candia), Chuvisca (prefeito Ervino Wachholz e vereador eleito Sergio Oliveira), Dom Feliciano (chefe de Gabinete Aline Rosiak). De Encruzilhada do Sul participaram o secretário de Obras, Transportes e Agropecuária, Alvino Silveira Machado, juntamente com o assessor Miguel Machado e Delaine Rodrigues Pereira. O encontro ainda contou com representantes da FURG, DNPM, FEPAM e Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Camaquã. Convidados, nenhum representante da Votorantim se dispôs a comparecer ao evento.
     A Bacia Hidrográfica do Rio Camaquã abrange 28 municípios, porém muitos representantes deixaram de participar da reunião tão importante para o futuro das comunidades que pertencem à bacia. Em seu depoimento, Fábia Almeida Richter demonstrou sua frustração pelo desinteresse de alguns prefeitos de participar do encontro, além da falta de conhecimento sobre o assunto.
     Os representantes dos municípios da região, que estiveram presentes foram unânimes em demonstrar sua contrariedade com o projeto, pois todos os resíduos da atividade de extração de minério acabariam no baixo do Rio Camaquã, com riscos de contaminação dos compartimentos ambientais (água, ar e solo).
     “A mineradora Votorantim pretende explorar minérios de chumbo, cobre, zinco e prata. No entanto, esses minérios também veem acompanhados de ouro, alegando estar em quantidade economicamente inviáveis, há possibilidade deste metal ser explorado e isto implicará na contaminação dos compartimentos ambientais (água, ar e solo) por mercúrio. A mineração de chumbo é o maior potencial apresentado pela mineradora e trata-se de um elemento tóxico com alto impacto socioeconômico”, disse durante sua apresentação a professora Marlene Rios Melo. Ela é bacharel e licenciada em Química pela USP, mestre em Química Inorgânica pela Unicamp e doutora em Educação e Ensino de Ciências e Matemática pela USP, que estava representando a FURG.
      “A luta vai ser grande, não vai ser fácil, senti-me um pouco desanimada porque a gente não teve o encaminhamento formal necessário, mas a resiliência é um dom, a gente vai se renovar e amanhã voltamos à luta porque a população precisa saber o que pode acontecer, acho que este momento de licenciamento dessa mineradora é o primeiro que nossa região vai passar, eu percebo claramente que têm outros empreendimentos e outras possibilidades, e a gente vai ter que escolher, é essa pergunta que eu quero fazer olhando nos olhos do governador Sartori, para o qual eu fiz campanha, eu quero perguntar se ele quer um Estado com mineração ou se ele quer um estado com produção de alimentos”, disse Fábia Almeida Richter, prefeita de Cristal. Ela formalizou um documento sobre todos os pontos que foram tratados na reunião e encaminhou  para a Fepam.
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    O investimento consiste na implantação de uma mina para produção de 36 mil toneladas de chumbo contido, 16 mil toneladas de zinco e cinco mil toneladas de cobre contido, ao ano. A produção de cobre e chumbo será exportada pelo Porto de Rio Grande. Já o zinco será transportado para as metalúrgicas da Votorantim Metais, localizadas nas cidades mineiras de Juiz de Fora e Três Marias. O empreendimento está em fase de licenciamento ambiental. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) foi protocolado em janeiro na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). A estimativa da empresa é obter a licença-prévia no final deste ano e a licença de instalação no final de 2017. Se os prazos se confirmarem, a mina deverá entrar em operação no final de 2019 ou início de 2020. (Com informações do Blog do Juares)
 

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